O Sorriso de Galadriel


Sexta-feira , 03 de Junho de 2005


Poética

Não sei o que sentir quando me sinto assim: Poética.

Nos anos de depressão essa era a única maneira de escape: não quero me sentir assim novamente.

Tenho medo do aperto que sinto no peito, da pontada no coração, da dor de cabeça, do sentimento ruim que não me deixa.

Alguma coisa ruim vai acontecer? Não sei. Nunca me senti assim.

É como estar na beira do pressipício, apenas esperando o empurrão.

Amanhã dormirei até meio-dia. E rezarei para que os pesadelos não venham me visitar mais uma noite.

Se eu lhe parecer estranha, distante, incompreensível, incompreendida... é o romantismo melancólico da poesia que brota da minha pele.

Mais um dia, no impulso, na osmose, não esperem muito de mim.

 

Escrito por Galadriel às 09:47
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Quinta-feira , 02 de Junho de 2005


Crônica para rádio - Trabalhador

Sou trabalhador, e tenho medo.

Medo do governo, medo da economia que não entendo.

Medo do patrão que num estalar de dedos me substitiu, medo da tecnologia que não me ensinaram a usar, mas que dizem, um dia superará a inteligência humana.

Sou mais um brasileiro, que como diz a propaganda: não desiste nunca.

Que apertado na forma, toma a forma do padrão internacional.

Não sei o que esperar do amanhã, garantir o pão de hoje é a necessidade primária.

Eles, os grandes homens de terno preto, dizem que é para o nosso bem, que o sofrimento de hoje será a abundância de amanhã, um amanhã que nunca chega.

Mesmo assim, todos os dias eu durmo, um sono pesado, tão pesado quanto meu medo.

E eu rezo, pra que não seja amanhã o dia da minha substituição, mas pra que quando ela venha eu saiba usar o velho jeitinho brasileiro, e sobreviva por mais um dia, talvez um dia sem medo.

Escrito por Galadriel às 17:14
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Quarta-feira , 01 de Junho de 2005


Isso não é amor

Desculpe, mas não dá.

Perdi o sono, perdi o senso, a paciência, o amor?

Desculpe, mas por mais um dia deixarei de ser lady. E amanhã não posso garantir que estará tudo bem.

Desculpe, mas a louça será colocada em cima da sua cama: ela não foi lavada.

Porque você foge dos meus devaneios e complexos?

Desculpe, mas a gata miou na janela e me obrigou a ficar por aqui.

Desculpe, mas não posso admir sua ausência por uma semana.

Desculpe, o telefone não tocou na hora exata. Minha empolgação se transferiu a outro não desejado. Nunca tão não desejado.

Desculpe, mas quero ter a palavra final nos assuntos bobos e não quero ter nos decisivos.

Desculpe, mas a melancolia me invadiu mais uma vez essa semana: "Had a bad day again. She said I would not understand". E não vai, porque a partir de agora vai ser o básico. Não vou mais me importar... pelo menos nessa fração de segundo que já é passado: pronto, posso me importar.

Desculpe, mas o pedido já foi feito. Você não merece.

Se sou dura é porque não sei. Apenas não sei. Da insônia. Do burrico. "E o meu cavalo só falava inglês".

Não espere mais amor. Dói. Amanhã comprarei um quilo de orgulho. E juntarei com: "duas medidas de estupidez".

Eu não vou.

Não deixe os bigodes de papai brancos.

Eu não vou.

Se você ler essa mensagem entenda, isso não é amor. E entenda, ela tem duplo sentido. Se dirige a ti e a mais alguém. Tomara...

Escrito por Galadriel às 00:32
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